Abrir empresa no Reino Unido: o que mudou depois do Brexit
O Reino Unido pós-Brexit não é mais a porta da UE, mas continua sendo um dos melhores mercados do mundo. O que mudou, o que ficou e quando ainda vale a pena.
O Reino Unido sempre foi um dos destinos preferidos de empresas internacionais. Mas depois do Brexit, muita coisa mudou — e muita empresa brasileira que pensava em abrir lá ficou confusa. A pergunta que a gente mais ouve é: ainda vale a pena?
A resposta curta é: vale, mas por motivos diferentes dos de antes. O Reino Unido de antes do Brexit era a porta de entrada para a União Europeia. O Reino Unido de depois do Brexit é um mercado por si só — e um dos melhores do mundo para operar.
O que mudou com o Brexit
O Brexit mudou três coisas fundamentais:
1. O Reino Unido não é mais parte da UE. Isso significa que uma empresa britânica não pode vender livremente para a União Europeia sem barreira. Há alfândega, há imposto de importação, há complexidade logística. Se o seu objetivo é ter uma entidade para operar em toda a UE, o Reino Unido não é mais o caminho — Portugal ou Irlanda são.
2. O mercado britânico é por si só. Mas o Reino Unido continua sendo o quinto maior mercado do mundo, com mais de 67 milhões de consumidores de alto poder aquisitivo, Londres como capital financeira global e uma das maiores concentrações de empresas de tecnologia do planeta. Se o seu objetivo é vender para o mercado britânico, o Brexit não muda nada — você continua precisando de entidade britânica.
3. A tributação permanece competitiva. O Reino Unido tem uma das tributações corporativas mais competitivas do mundo desenvolvido, com taxa principal de 19% (e planejada para baixar). Para empresas de tecnologia, há regimes específicos de incentivo fiscal, como o Patent Box e o R&D Tax Credit.
Por que abrir no Reino Unido
Mesmo pós-Brexit, três motivos fazem do Reino Unido um destino relevante:
1. Mercado de alto valor. O cliente britânico paga em libra — uma das moedas mais fortes do mundo. O ticket médio é alto, a disposição para pagar por qualidade é alta e a cultura de contratação de serviço internacional é madura.
2. Londres é o hub financeiro. Se a sua empresa tem qualquer relação com serviços financeiros, fintech ou B2B de alto ticket, Londres é onde o cliente está. Nenhuma outra cidade europeia tem a mesma concentração.
3. Processo de abertura é rápido. O Reino Unido tem um dos processos de abertura de empresa mais rápidos do mundo. Registrar uma Limited (LTD) pode ser feito online em 24 horas, por menos de £50.
Como funciona na prática
Abrir empresa no Reino Unido é notoriamente simples:
1. Tipo de entidade. A maioria das empresas brasileiras abre como Private Limited Company (LTD). É o equivalente à LTDA brasileira, com responsabilidade limitada dos sócios.
2. Registro na Companies House. O registro é feito online, no site da Companies House. Custa £12 (online) ou £50 (presencial). O processo leva 24 horas.
3. Endereço registrado. Toda LTD precisa de um endereço registrado no Reino Unido. Se você não tem, usa um serviço de endereço registrado — custa entre £80 e £200 por ano.
4. Conta bancária. Abrir conta bancária no Reino Unido é mais complexo do que registrar a empresa. A maioria dos bancos exige presença, mas existem bancos digitais (Wise Business, Tide, Anna Money) que aceitam sócios não residentes.
5. Contador. O Reino Unido exige que toda LTD tenha um accountant que prepare as contas anuais. O custo fica entre £500 e £2.000 por ano, dependendo do volume.
O que ninguém te conta
1. Registrar é fácil. Operar é o que exige atenção. O registro da LTD leva 24 horas. Mas a manutenção — contabilidade anual, confirmação de sócio, declaração fiscal — exige processo. Não é difícil, mas não é automático.
2. O Reino Unido tem compliance rigoroso. A Companies House e a HMRC (receita) têm regras claras e as aplicam. Não declarar, não confirmar sócio ou não pagar imposto tem consequência real. Não é como em alguns países onde a burocracia é frouxa.
3. A conta bancária é o gargalo. Como nos EUA, abrir conta bancária sem ser residente é possível, mas não é garantido. Wise Business é a opção mais usada por não residentes, mas tem requisitos.
Reino Unido vs. outros destinos
- Reino Unido vs. Portugal: Portugal tem idioma e custo a favor. Reino Unido tem mercado e velocidade a favor. Se você quer vender para a UE, Portugal. Se você quer vender para o mercado britânico, Reino Unido.
- Reino Unido vs. EUA: Os EUA têm mercado maior e tributação favorável. Reino Unido tem processo mais rápido e acesso a libra. A escolha depende do mercado-alvo.
O que a Remoto faz
Para empresas que querem abrir no Reino Unido, a Remoto ajuda a decidir se faz sentido (pós-Brexit, nem sempre faz), conecta com contadores e agentes registrados britânicos, e estrutura a operação para que a empresa funcione sem precisar de presença física.
O Reino Unido pós-Brexit não é mais a porta da UE. Mas continua sendo um dos melhores mercados do mundo para operar. A questão é saber o que você quer — e escolher o destino certo para isso.
- Equipe RSF
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